Canta a cabeça decepada de Orfeu: “To be or not to be les flours du mal?”, reinar na Dinamarca ou apodrecer em Lesbos, a morte pela lira ou pela loucura é igualmente morrer pelo sexo ácido de Poesia. Em esplêndido spleen rompe Rimbaud o coração que versa, pois coração não sangra verso, apenas sangra e do sangue faz-se tinta que tinge a alma de verso. É preciso morrer primeiro, de velhice antes dos trinta, de emboscada antes dos vinte, de fome um pouco por dia, para versar somente depois.
A Mensageira das Violetas violenta a solidão, esta pantera, Bela-flor Espanca a quimera que devora seus Anjos caídos. Brilha Byron na penumbra, pulsa Poe no corvo, o corpo espera o copo que embriaga a mente do velho Chinaski. O poeta mente. O poeta é um fingidor, diz o português Pessoa, multi-pessoa pastor-árcade-tabacaria-desassossego. É preciso partir-se primeiro para versar somente depois.
Goya goza Cronos devorando filhos, homens destruindo irmãos, burros cavalgando... burros, ora, que seriam além de burros? O colete de Frida Khalo não cala a tinta que delira. Dança Frida, com as pernas atrofiadas de Tolouse, com as putas atrofiadas de Tolouse, dança num Sonho de uma Noite de Verão, queima a cruz abssínia, bebe a não-arte no urinol de Duchamp. Quando queimarem os parnasos, os hereges louvarão: “Also Sprach Zarathustra!” É preciso enlouquecer, matar deus primeiro, para versar somente depois.
A Poesia, vagabunda iluminada de pé na estrada, planta flores no asfalto. o Uivo é a Canção da Inocência que beatifica bodsathivas no Casamento do Céu com o Inferno. Move as cordas do títere-poeta. É preciso versar, é preciso morrer, é preciso partir-se, é preciso obedecer. A Poesia, caros irmãos, é uma Imperatriz caprichosa. Poeta-escravo, é preciso viver primeiro. É preciso atravessar espelhos para ser poema, reflexo distorcido, migalha, fragmento da Poesia.
A Poesia existe antes de você. A Poesia existe antes do poema. A Poesia existe, o artista não. A Poesia É!
Simplesmente é...
Simplesmente é...
É preciso versar.
É preciso sangrar.
É preciso servir.
Versar é preciso
Escravoverso ser...

10 comentários:
olha só:
plínio, meu caro amigo, vc sabe o quanto eu respeito vc e o que vc escreve, mas sinceramente, me agrado e me desagrado na mesma proporção quando leio esses seus últimos textos.
Eu sei que vc gosta de escrever ficção, e que talvez seja a melhor coisa que vc faça: ficção/prosa, mas sinceramente, eu me sinto enganada qdo tenho que ler e comentar textos seus sem nenhuma raiz interna, um monte de referências alinhavadas caprichosamente, mas que no fundo não tem relação nenhuma com o que vc sente, só mostra o quanto vc já leu nessa vida.
O que vc tem feito é um pout-pourri de frases e pensamentos já existentes moldados ao seu bel-prazer, que satisfazem e muito aos leitores com mania de perseguição e engajamento intelectual, mas a mim não. Na verdade, me satisfaria seu não fosse VOCÊ que estivesse escrevendo, se fosse qualquer um, mas você tem muito mais na cabeça do que um monte de referências e notas de rodapé. Eu quero ler o Plínio das idéias novas e dos sentimentos transbordantes que vc escondeu em algum lugar por aí e não um monte de metáforas e alusões poéticas e ébrias feitas para satisfazer o seu nome, o nome do seu blog.
Eu sei que mais do que ninguém eu tenho sempre perguntado: "qdo vc vai postar um texto novo?" mas isso não significa que o seu blog está aqui para satisfazer os leitores. Eu quero ver vc se satisfazendo em escrever, pq as coisas estão me parecendo meio forçadas por aqui.
BJO
escreve bem, mas não consegui achar todas as referências.
abraços libertários
Ow
quanta referencia, algumas conhecidas outras nem tanto
fiquei até meio tonta
;)
Me senti o analfabeto cultural agora. Nem um prêmio melhoraria meu humor, hahahaha.
Total analfabeta rsrsrs Mas mesmo assim é impressionante o jogo de palavras que usou:
É preciso versar.
É preciso sangrar.
É preciso servir.
Versar é preciso
Escravoverso ser.
Apaixonei... simples assim! rsrsr
Uma notória e absurda orgia remissiva. Gostei do tom inicial - sobretudo porque alude a Gaiman - todavia, acho que você poderia ter acabado o texto no 4º parágrafo. A semiologia envolvendo reflexamente niilismo e um possível fim do texto seria o ápice do dever ser poético que você apregoa no texto.
Btw, explicite o prêmio e a gente trabalha com as listas =p
Abraço!
ASHShuashuasuhasuhhuas
conheço esse hein veih!!!!
escravoverso ser...
escravoverso somos!!!
(ainda bem !)
abraços!
Plinio, saudades de você!
Escravoverso escravo ser, escravisado meu será? ahusehuhsu
Adoro seus textos, quem sabe um dia aprendo a escrever!
Meu blog ta abandonado, quando atualizar com algo bom e útil te mando subliminares mensagens; depois vou querer saber suas sinceras considerações a respeito dos textos melhorados e os novos postados.
Vamos tomar um chafé na paulista?!
Bjos querido escravo.
ahhhhhhhh tenho vergonha do me blog depois de ler o seu... vc puxou ao meu pai !!!!!
Eu deixo o mato crescer...eu deixo o índio viver...eu deixo a capivara atravessar...eu deixo o tatu-bola no lugar..viva a Gal Costa psicodélica!
Viva as referências do Plínio!
Eu nunca me preocupei com as referências da capa do Sgt. Peppers dos Beatles...eu me divirto com tudo!!
Abraço
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